Toda vez que uma nova onda de automação chega, o debate sobre o fim do emprego ressurge com força. Foi assim com a industrialização, com a informatização, com a internet. E está sendo assim com a inteligência artificial. O problema com esse debate é que ele frequentemente ignora as especificidades de cada contexto.
O que é diferente no Brasil
O Brasil tem uma das maiores economias informais do mundo — cerca de 40% dos trabalhadores estão no setor informal. Para esses trabalhadores, a automação funciona de forma diferente do que para trabalhadores formais. O Brasil também tem uma distribuição de renda muito desigual, com uma massa de trabalhadores em ocupações de baixa qualificação. A automação de tarefas físicas de baixo custo só faz sentido econômico quando o custo da tecnologia é menor que o custo do trabalho humano — e no Brasil, o trabalho humano ainda é muito barato.
O que vai mudar e o que não vai
A IA generativa está criando uma nova categoria de vulnerabilidade: trabalhadores do conhecimento de nível médio. Redatores de conteúdo genérico, tradutores de textos simples, analistas de dados básicos — funções que pareciam seguras estão sendo afetadas. Mas trabalho que exige presença física, julgamento contextual complexo e relações humanas genuínas é muito mais resistente à automação. O futuro do trabalho no Brasil vai ser determinado não apenas pela tecnologia, mas por escolhas políticas.