O Brasil tem a maior economia da América Latina, uma das maiores populações do mundo e um ecossistema de startups que cresceu exponencialmente na última década. Em teoria, o Brasil tem tudo para ser um polo global de inteligência artificial. Na prática, ainda está atrás de países menores e com menos recursos.
O que está funcionando
O ecossistema de startups de IA brasileiro cresceu significativamente nos últimos cinco anos. Empresas como Neoway, Stefanini e Totvs desenvolvem soluções de IA para o mercado corporativo brasileiro com qualidade reconhecida internacionalmente. A pesquisa acadêmica também avança — o IMPA, o ITA, a USP e a UNICAMP têm grupos de pesquisa em machine learning com publicações em conferências de ponta.
O que está faltando
Infraestrutura de computação é o gargalo mais óbvio. Treinar modelos de IA de grande escala exige poder computacional que o Brasil ainda não tem em quantidade suficiente. Regulação é outro desafio — o Brasil tem a LGPD, mas ainda falta um marco regulatório específico para IA. E há o problema do talento: o Brasil forma bons engenheiros e cientistas de dados, mas perde muitos deles para o exterior, atraídos por salários que o mercado brasileiro ainda não consegue oferecer.
O potencial inexplorado
O Brasil tem dados que nenhum outro país tem: dados sobre agricultura tropical, sobre doenças tropicais, sobre comportamento de consumidores em economias emergentes. O agronegócio é talvez a área com maior potencial imediato — o Brasil é um dos maiores produtores agrícolas do mundo, e a aplicação de IA para otimização de culturas tem potencial transformador.